Onde se forjam os craques

É a Copa do Mundo que decide quem e como cada jogador vai entrar para a história

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Pelé recebe a bola na entrada da área e dá um chapéu no zagueiro. Logo vem outro beque, também afobado, e toma o segundo chapéu em sequência. Um terceiro homem da defesa chega, dessa vez determinado a acabar com aquilo: dá o bote seco e, ato contínuo, sofre o mesmo drible vexatório que seus pares. Já são três chapéus em cadeia, um ligado no outro pelo fino fio da vergonha. E ainda há tempo para um quarto, sofrido pelo próprio goleiro que nem com as mãos pôde escapar.

Depois da coletânea de humilhações públicas, o golpe de misericórdia: sem deixar a bola cair uma única vez, Pelé cabeceia e anota o mais bonito dos seus 1.281 gols.

Um tento raro, que condensa toda a beleza do futebol, e ainda assim quase não tem valor para o grande público. Porque quase ninguém viu. Porque foi num Santos vs Juventus. Porque não foi filmado – ficou preso à memória de quem esteve na rua Javari naquele 2 de agosto de 1959, e só.

Assim é o jogo. Tudo depende do tamanho do holofote que está sobre ele. E agora, na Copa do Mundo, metade do planeta vai virar suas vigilantes retinas para o espetáculo. Serão 3,5 bilhões de pessoas com os olhos fixos na televisão, as orelhas nos radinhos de pilha. A cada dois viventes, um estará vendo, comentando, promovendo o grande jogo.

A Copa é o palco perfeito para o almanaque da bola escrever sua história. Tudo o que suceder aqui será ampliado milhões de vezes e entrará para o inapelável fabulário popular. A tragédia será ainda mais tragédia, como foi em 1950. E a glória será mais glória ainda, como em 1970.

Pais e mães que ainda nem nasceram contarão, lá na frente, os feitos deste torneio para seus rebentos. Lances de 2 ou 3 segundos serão reproduzidos como uma narrativa de Tolstoi. Dentro de um contragolpe caberá todo o drama dos Irmãos Karamazov.

A Copa do Mundo é a catapulta para a apoteose. Paolo Rossi tatuou o nome na história porque marcou três gols contra o Brasil. Cruyff tem cadeira cativa no Olimpo da bola porque regeu o carrossel em 74. Maradona é dios porque foi magistral em 86. Se aquele toque na bola com a mão contra a Inglaterra tivesse acontecido em um amistoso, a cena não seria o que é hoje. Assim como a defesa de Banks não seria a maior do mundo se tivesse acontecido num jogo do campeonato Inglês.

Todo isso foi o que foi porque a Copa do Mundo é o que é: um torneio que transforma craques em gênios, derrotas em desditas e vitórias em milagres.

Pois é hora, então, de Neymar, Cristiano Ronaldo e Messi, os três mais hediondos jogadores da atualidade, sorverem deste palco.

Juntos, eles já jogaram 7 vezes o torneio. E até aqui, nada. Não só não o ganharam como tampouco anotaram seus nomes na história dele.

Que comecem agora. Que façam uso do palanque, dos holofotes, do picadeiro. A história quer – falta eles quererem.

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